Offline: malefícios e benefícios que se conectam

Desde que se popularizou como rede mundial, a internet é repleta de dilemas e paradoxos. Afinal, ela aproxima ou afasta as pessoas? Se praticamente todo mundo parece estar conectado o tempo todo, como é possível que existam pessoas sem acesso à internet no Brasil?

Com a capacidade de integrar regiões remotas do globo aos grandes centros urbanos virtualmente, a internet propicia que diferentes culturas tenham as fronteiras interligadas, podendo trocar entre si quase em tempo real. A globalização digital permite a circulação de dados de forma rápida, engajando campanhas, protestos, mobilizações sociais e políticas. Ao mesmo tempo, se opõe a outro importante fenômeno: a desconexão.

Existe um volume alto de pessoas sem acesso à internet no Brasil. De acordo com levantamento realizado pelo Centro Regional de Estudos para Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC.br), chegava a 11,8 milhões o número de domicílios sem computador e sem Internet em 2020. A finalidade do uso também aponta divergências importantes entre nível de escolaridade, classe social, cor e raça. Dentre os que não acessam a internet, 24,3% não têm serviço de internet em casa e 62,5% atribuem o não acesso à falta de habilidade com o computador.

As estatísticas direcionam para uma realidade por vezes ofuscada em meio à bolha de hiperconexão. Enquanto o trabalho remoto e estudos a distância são rotineiros para muitos, outros tantos sequer conseguem receber e enviar informações por aplicativo de mensagens.

Para os que já nasceram conectados, ou nunca tiveram problemas para acessar a rede, a realidade é bem diferente do afastamento que ocorre com os excluídos. Tamanha diferença escancara outra divergência estrutural. Quem está o tempo inteiro em atividade na internet enfrenta outro desafio: ficar offline. Quase um membro do corpo humano, o celular hoje em dia representa o dispositivo com maior acesso à internet, e está sempre presente.

O impasse de ficar desconectado evidencia outros problemas de saúde, que tendem a se intensificar com períodos de abstinência da internet. A dependência das telas está associada a dificuldades de concentração, distúrbios de ansiedade, privação de sono, bloqueios de interação social e prejuízo de atenção no trânsito.

Os extremos entre os dois polos revelam níveis de desigualdade de conexão e de acesso à rede.  O objetivo do esforço coletivo deve ser o equilíbrio para que mais pessoas tenham acesso à internet de forma democrática, ao mesmo tempo em que devem ser observados os mecanismos compensatórios adotados pelos hiperconectados. O debate sobre o uso consciente da internet e suas possibilidades está em constante atualização.

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